Como lidar com a falta de apoio?

Uma das coisas mais dificeis de enfrentar quando se começa uma atividade é o fato de que nem todo mundo vai te entender e muito menos te apoiar. Independente do que você começar a fazer, sempre vai ter alguém que vai te puxar pra trás com comentarios negativos ou simplesmente te dizendo que não vale a pena tentar, que não vai dar certo ou as vezes, inclusive chegando a dizer que você näo é bom o suficiente pra se arriscar. Isto dói e muito, e dói mais ainda quando vem de pessoas que você menos espera . Imagina quão maravilhoso seria começar um emprendimento ou atividade e todo mundo torçer por você, sua familia, seus amigos, todos. Seria perfeito mas não é assim que acontece na maioria das vezes.

Lembro de quando começei a treinar Taekwondo lá no Chile em 95. Eu já tinha problemas com meu peso, minha autoestima não era das melhores e assim que fiz meu primeiro exame, lembro os comentários do meu padrastro : “você devia esquecer isso”, “você não tem agilidade pra as artes marciais”. Pra piorar, meu avô ao invés de me defender, também me colocou pra baixo, me deixando num nivel de desánimo que me fez desistir após 5-6 meses de treinamento embora gostasse muito. Anos mais tarde, específicamente em agosto de 2007, já no Brasil, quando finalmente rendi e aprovei pra faixa preta, foi impossível näo lembrar daquelas palavras e “incentivos”. Como assim ? Eu devia ter raiva, né? Na verdade, isso é pessoal e pra mim, essa energía negativa que veio de tão perto, ne desanimou e me fez desistir mas não esqueci meu sonho e a tão sonhada faixa preta é minha e ninguém tira.

A mesma coisa vem acontecendo desde que começei correr. Desta vez os comentários não vem da minha família mas sim de pessoas conhecidas, que acham que desde o conforto das suas casas podem opinar referente a que eu posso ou não fazer. Tive colegas de trabalho que fizeram piadas por meses devido a minha obsessão treinando de madrugada ou as vezes quando viajava após o trabalho pra outra cidade só pra participar em alguma corrida. Era chamado de louco. Escutei mil vezes : “você corre e corre e continua gordo”, “ você corre pra qué? Nunca ganha” . Comentários assim são normais e acredito que não sou o único corredor que experimenta isto.

O importante é o que você vai fazer com esses comentários. Vai deixar as pessoas te desanimar ou vai continuar tentando no seu objetivo? Não importa o que você almeje. Pode ser desde perder um par de kilos, até correr profissionalmente. Não interessa. O objetivo é seu e a vitória e só sua. Não permita que ninguém atrapalhe teu caminho. Nem pense em desistir.

Tua “faixa preta” está esperando por você…

A jornada começa…

Muito obrigado por me acompanhar. Neste espaço vou trazer um pouco da minha vida desde que começei a correr, como isso tudo originou-se, qual foi o motivo, dificuldades, logros, medalhas, kilos a menos, kilos a mais e por sobre tudo o fato de que só correr nao vai salvar tua vida mas vai fazer ela bem melhor e divertida. Bora!

Como foram os primeiros passos…

Nunca tive corpo de atleta, desde minha infância o problema dos kilos extras sempre foi uma constante. Nunca tentei dietas porque naquela época ainda não comecava a febre pelos corpos perfeitos e saudáveis que existe hoje. Tentei jogar futebol, tennis e nada. Não tinha habilidade nenhuma e meu estado fisico não ajudava. Não era obeso mas a barriga e a falta de agilidade me faziam desistir logo de qualquer tentativa esportiva, embora amasse todos os esportes em especial o futebol.

Quando mudei de pais com a minha familia (do Chile pra o Brasil) tinha 20 anos e decidi recomecar com Taekwondo, uma arte marcial na qual tinha dado meus primeiros passos no Chile e da qual tinha desistido, adivinhem porque. Pois sim. Meu corpo simplesmente não me acompanhava.

Com muito esforço e dedicação, consegui escalar e crescer no TKD, chegando numa das minhas maiores vitórias esportivas até aquele momento, a tão sonhada Faixa Preta. Era uma tremenda realização, especialmente porque na época eu já trabalhava como assistente numa academia da região na qual morava. Era um bom instrutor mas lá no fundo do meu ser eu sabia das minhas limitações e sabia que com o passar dos anos (eu ja tinha 27 quando aprovei pra faixa preta) a movilidade e agilidade tao necessarias numa arte marcial nao iam aumentar muito. Nesse momento eu já tinha atingido minha estatura máxima, 1m74 e tava na faixa de 80-85 kilos. Com muito pessar larguei o taekwondo e um ano depois, inicio de 2009, dei inicio a maior aventura da minha vida. Mudar de pais por terceira vez, dessa vez pra Inglaterra. Nem preciso mencionar que depois de parar com as artes marciais eu cheguei nos 106 kilos, algo que me deprimia e assustava profundamente, sem falar nos estragos que isto causava na minha autoestima.

Chegando na Inglaterra, o stress tomou conta de mim. Novo país, nova cultura e embora ja falasse inglés, não tinha nenhum contato. Sem amigos, longe da família e sem trabalho a condição física só piorava.

Decidi me inscrever numa academia, precisava tentar alguma coisa e mesmo nunca tendo corrido, montei na esteira e pra minha surpresa consegui completar 3km! Foi uma tremenda surpresa! Nunca na vida tinha feito aquilo, tinha tentado esportes, joguei basquete na época do colégio mas daí a correr 3km sem parar… tava chocado, decidí tentar novamente no día seguinte e mesmo duvidando, consegui novamente fazer 3km o qual me deixou muito orgulhoso embora em termos de peso e condicionamento físico, lógicamente não tinha atingido nada.

Começei a frequentar a academia e mesmo não tendo muita noção do que estava fazendo, continuava tentando. Enquanto isso, continuava sem trabalho e me vi forçado a cancelar a academia o que me deixou muito triste embora já tinha decidido me largar a correr na rua.

Desde esse dia, já se foram mais de 600 treinos de corrida, contando com os que fiz na academia e incluindo as corridas que já completei.

Neste blog, quero falar de muitas coisas que espero possam te ajudar. Como foi minha primeira corrida. Meus maiores desafios. Lesōes. Obstáculos. Estarei postando também algumas das medalhas e contando algumas anécdotas divertidas.

Espero, de todo coração contribuir e motivar aquelas pessoas que pensam que não são capazes de correr “nem pra pegar o ónibus”! Acredite, eu consegui! E voçê vai conseguir junto comigo!

Um forte abraço e boa corrida!